18 de julho de 2017
Engenharia e Arquitetura: rivalidade ou parceria?

De fato, não se pode negar que há muitas vezes um clima no mínimo estranho nessa relação entre engenheiros e arquitetos. Mas nem sempre foi assim!

No passado, a Engenharia e a Arquitetura eram unidas em uma só: formavam os chamados “artesãos” e muitas vezes “artistas”, o que explica a proximidade, no caso da arquitetura, com as escolas de Belas Artes. No caso da engenharia, suas atribuições derivam em parte do que, antigamente, eram consideradas as artes mecânicas.

Muito por essa estreita ligação no passado, figuras históricas como Leonardo da Vinci, por exemplo, eram conhecidos tanto como artistas quanto engenheiros.

No entanto, com o passar dos anos, essas profissões foram se distanciando, cada uma com suas atribuições e habilidades bem definidas, porém SEMPRE complementares. A partir desse momento, começaram a surgir alguns conflitos acompanhados de um sentimento de “nós contra eles”, principalmente naquela área que é comum a ambos: a construção civil.

Mas será que podemos chamar esses conflitos de “rivalidade”?

A resposta é, definitivamente e em letras maiúsculas, NÃO!

Só seria uma rivalidade se essa disputa fosse por melhores resultados, o que não é o caso, já que rixas infantis não só prejudicam o projeto (durante uma tomada de decisão, nesse caso, não se tenta chegar a um consenso produtivo, e sim a uma vitória) como também desgastam essa relação que poderia ser construtiva e de aprendizado para os dois lados.

Talvez isso tenha suas origens ainda bem cedo, no âmbito acadêmico, no qual as grades curriculares da engenharia negligenciam ou abordam muito superficialmente assuntos da arquitetura, e vice-versa.

Um exemplo?

A grande maioria das escolas de engenharia não disponibilizam disciplinas específicas de Projetos, um assunto tão relevante também aos engenheiros que pretendem seguir rumo à construção civil, e que não só acrescentaria na sua formação, como também facilitaria a relação entre ambos profissionais, já que qualquer tomada de decisão ou discussão se torna sempre mais produtiva quando as duas partes entendem do assunto.

No final das contas, a verdade é que os engenheiros e os arquitetos têm mais em comum do que se pensa. Projeto arquitetônico e projeto estrutural não têm sentido isoladamente. É o casamento perfeito de forma e função.

Os arquitetos precisam compreender a relação de trabalho com os engenheiros, em que se pode confiar que eles tentarão trazer a visão arquitetônica para a realidade. Eles devem ouvir quando os engenheiros alertam contra algo, seja um problema estrutural, um problema de construção ou uma preocupação de orçamento.

E, sim, os engenheiros precisam perceber o talento e a visão que os arquitetos trazem à mesa e usar o conhecimento que possuem para criar uma solução viável!

Afim de acabar de uma vez por todas com essa rivalidade entre profissões, e incentivar que arquitetos e engenheiros trabalhem juntos e unam suas forças, a MKS levantou pontos importantes sobre o que um engenheiro deve saber sobre arquitetura, e vice-versa:

 

Engenheiros aprendendo com Arquitetos:

#1 Compreender as diferentes fases do percurso de elaboração de um projeto arquitetônico. Só sabe analisar quem sabe como fazer!

2# Enxergar e saber utilizar a escala humana em nossos projetos.

3# Ser mais detalhista. Foco nos detalhes! Como diria o grande arquiteto Mies Van der Rohe “Deus está nos detalhes”.

4# Entender que muitas vezes “menos é mais”.

5# Conhecer as interfaces fundamentais de um projeto.

6# Olhar espacial. Ter diferentes ângulos e perspectivas de uma mesma referência.

#7 Desejo de inovação e descoberta de novos métodos e materiais.

#8 Saber promover nossa indústria: enquanto arquitetos publicam seus projetos em revistas antes mesmo de se ter um tapume na obra, engenheiros falam sobre a rigidez de estruturas, fatores de carga e mudanças na norma, permanecendo anônimos até que algo dê errado.

#9 Visão e apreciação pela estética.

 

Arquiteto aprendendo com Engenheiros:

#1 Dominar os processos de execução das diferentes etapas de uma obra, desde a movimentação de terra até os acabamentos.  Só analisa a viabilidade construtiva de um projeto aquele que sabe como executá-lo.

#2 Compreender e tomar gosto pelo estudo dos materiais, aprofundando-se no comportamento destes ao longo do tempo e sob condições diversas.

#3 Ter o costume de vivenciar a rotina de uma obra, saber lidar com os funcionários e descobrir os desafios diários em um canteiro de obras!

#4 Saber implementar e executar um Planejamento e Controle da Produção (PCP) em obra. Entendendo a importância do planejamento (curto, médio e longo prazo) para o andamento das atividades, e inserindo-o na rotina da obra, dificilmente a entrega ocorrerá fora do prazo.

#5 Fazer análises e planilhas de composições unitárias de custos. Uma obra bem orçada evita dores de cabeça e permite melhores decisões, devido a uma melhor análise de custo-benefício ainda em fases iniciais da elaboração do projeto.

#6 Ter boas noções de dimensionamento estrutural viabilizam estudos preliminares sempre mais realistas.

#7 Compreender a complexidade de cada atividade envolvida num processo construtivo, principalmente no que refere à retrabalho. Saber onde não errar, sob hipótese alguma, no projeto”.

Essas dicas foram úteis para você? Acredita que haja mais algum ponto a ser levantado sobre engenheiros e arquitetos? Compartilhe conosco!

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