28 de junho de 2017
Gestão de pessoas: O novo perfil do engenheiro moderno

Se foi o tempo em que a área de recursos humanos era centralizada exclusivamente em um único setor que atuava nas empresas de forma mecanicista, onde o empregado cumpria ordens através da obediência, sem questionar, enquanto o chefe detinha o controle centralizado. Isso é passado!

Gerir pessoas não é mais um processo mecanicista, sistemático e metódico. Gerenciar não é mais tão relacionado a controlar, mas sim influenciar e motivar, e muito menos a sua gestão fica centralizada em um setor!  E essa habilidade começa a ser redistribuída pelos setores em contato direto com a mão de obra, trazendo maior humanização na relação e, quando bem aplicado, diversos benefícios, tais como qualidade aos serviços, a redução de desperdícios, maior segurança, diminuição da rotatividade de profissionais e aumento a produtividade.

No seu habitat natural, o canteiro de obras, o engenheiro civil moderno deve possuir tais habilidades em gerir pessoas no mesmo nível que suas habilidades de base analítica e técnica, tendo em vista o impacto gerado pela aplicação dessas boas práticas, tanto as positivas quanto as negativas. Mas será que mais uma habilidade e responsabilidade não sobrecarregariam o Engenheiro? Pelo contrário!

Essa nova postura não só será fundamental na gestão da obra e da empresa, como também facilitará o engenheiro a atuar nas suas diferentes áreas e realizar as suas diversas funções que já fazem parte do seu escopo, como atividades de coordenação de projetos, compras, administração de contratos, controle da qualidade, almoxarifado, segurança do trabalho, administração financeira, administração de pessoal, administração de equipamentos, relações com órgãos de fiscalização, etc. Porque facilitará? Por tornar mais eficiente aquela que é a mola propulsora para a realização bem sucedida de uma obra: a mão de obra!

Além disso, a indústria da construção civil tem uma grande diferença de diversas outras indústrias: nela, o produto é estático enquanto a mão de obra se movimenta. Essa diferença faz com que, mais ainda na nossa área, qualquer melhora em eficiência da mão de obra impacte muito fortemente no cronograma e nos custos.

Outro benefício muito interessante da boa administração de pessoal no canteiro é a diminuição da rotatividade, que é o contrário do comum praticado pelas empresas da construção civil, que ao invés de estimularem seus funcionários a permanecerem na empresa mantendo um bom ambiente de trabalho, terceirizam cada vez mais, buscando de forma simplista reduzir os gastos com encargos sociais, admissão e demissão de pessoal.

Essa “institucionalização da terceirização”, cria um outro grande problema na gestão de pessoas na obra: quem lidera a equipe (sob ponto de vista dos funcionários)? O empreiteiro (terceirizada) ou a construtora? Quem paga (construtora), ou quem comanda (empreiteiro)? Verifica-se, assim, uma perigosa alteração na estrutura de poder e autoridade dos serviços, dificultando a administração da empresa e dos serviços prestados por parte da contratante. É fundamental em uma obra, aos olhos da mão de obra, ter bem clara e estabelecida essa relação de liderança. Sempre trabalha melhor o funcionário que sabe para quem trabalha!

Agora, vale ressaltar: ao considerar o uso da mão de obra própria na análise do planejamento, deve ser introduzida mais uma variável fundamental na administração, que é o estudo da alocação de equipes (sobreposições) e a sua presença de forma ativa no Planejamento e Controle da Produção, o que não ocorre no caso do emprego da mão de obra subempreitada.

Cria-se, portanto, uma dupla infalível para uma obra bem gerida: planejamento e gestão de pessoas! E não precisamos nem citar os incontáveis benefícios de um bom planejamento na empresa, pois além destes, a melhora proporcionada por ele no que se refere ao engajamento dos funcionários é muito legal de se observar. É recompensador!

A partir dele, disponibilizado de maneira bem visual e didática pelo canteiro (e não apenas “escondido” no escritório!), os funcionários se sentirão “parte” do todo, como se fossem engrenagens de um mesmo motor. Além disso, é sempre melhor para o profissional trabalhar sabendo o que (como, onde, com quem…) vai ser feito e sabendo que essas decisões são tomadas em conjunto com ele próprio! Tem-se aí outro elemento chave para essa dupla infalível: a tomada de decisões de forma participativa. Afinal, podem surgir GRANDES ideias por aqueles que tem a prática e estão ali na produção em tempo integral! Basta dar-lhes a oportunidade: você vai ver, podem surgir grandes líderes a partir dessa simples liberdade de opiniões.

O engenheiro moderno, portanto, assumindo agora tais responsabilidades na gestão humana, precisa mais que conhecimento técnico. São necessárias habilidades humanas. É preciso ser equilibrado, saber ouvir e considerar opiniões divergentes. É fundamental passar segurança à equipe e resolver problemas de forma justa e competente. O bom gestor, seja engenheiro ou mestre, deve ter, acima de tudo, visão sistêmica. Ou seja, compreender, por exemplo, como os sistemas de produção se relacionam com o meio ambiente e as pessoas.

Uma vez criado esse ambiente favorável aos funcionários, o próprio canteiro vira um local acolher e de aprendizado, em que qualquer nova peça naturalmente irá aprendendo a filosofia da empresa e se inserindo no grupo de forma mais natural e amigável que o comum em obra!

Vamos ver a seguir, algumas dicas que a gente separou, baseadas na prática das nossas obras, com iniciativas que tem um super impacto na gestão de pessoas no canteiro:

Dicas:

  • Pequenos gestos que fazem toda a diferença: Parece mentira, mas em muitas obras o engenheiro não sabe nem o nome dos integrantes da sua equipe. E esses atos básicos de respeito ao próximo fazem uma diferença tremenda em qualquer canteiro! Cumprimente, chame pelo nome, saiba um pouco da história de vida de cada um, faça perguntas de rotina sobre o serviço (se sentir parte), peça opinião (se sentir importante)… Trate de igual para igual, e não esqueça: você pode até saber a teoria e ter um diploma na mão, mas quem tem o conhecimento da prática e levanta o prédio é a mão de obra (nem sempre o preparo técnico garante a liderança competente: é possível ser um bom líder sem ter formação acadêmica).
  • Boas instalações: um bom vestiário, uma cozinha agradável e um banheiro que dê vontade de tomar um bom banho depois de um dia cansativo de obra serão sempre importantes para o bem estar de quem trabalha na obra!
  • Momentos de união: os clássicos churrascos de obra, os aniversários, o café da manhã de segunda feira (é o dia mais difícil, então não custa nada dar um empurrãozinho), e qualquer outra confraternização aumenta o espírito de equipe do pessoal. Comemore realizações e reconheça os bons resultados! Você vai ver o impacto!

  • Dar exemplo: quem conhece obra sabe: o impacto da “liderança pelo exemplo” é muito forte nos funcionários! O responsável pela obra que cumpre horários e tem presença ativa no canteiro acaba sempre tendo total controle sobre a produção, além de servir de exemplo e motivação a todos. Isso tudo tem um super impacto para os trabalhadores, que não suportam receber ordens de quem praticamente não aparece na obra. Seja coerente, e esteja “na boa e na ruim” com sua equipe!
  • Planejamento e Controle da Produção: um planejamento participativo em obra não só aumenta o engajamento dos funcionários como também ajuda a estabelecer objetivos e metas de forma clara junto a estes. Para cobrar resultados dos trabalhadores, estes devem saber ao certo o que é esperado que façam!
  • Saiba ser amigo, mas saiba cobrar: O funcionário perde o respeito pelo chefe que vira apenas um amigo. Nunca deixe de cobrar resultado! Agora, precisou chamar atenção de algum funcionário ou equipe? Chame em particular. Nunca na frente dos outros.
  • Feedback:  Sempre faça sua equipe saber das suas opiniões sobre o serviço: passe um bom feedback! O feedback nada mais é do que informar as pessoas sobre seu desempenho e sua conduta, ajudando a sua equipe a compreender o que está fazendo bem, onde está falhando e como melhorar. Não se trata apenas de repreender, mas de conduzir as pessoas na direção certa. O líder que aplica corretamente essa técnica ganha o respeito dos liderados e, consequentemente, amplia a produtividade. O feedback pode ser positivo ou corretivo: quem somente aplica-o de forma corretiva é tido como tirano, carrasco e perseguidor. Seu oposto é conhecido como paizão ou o bonzinho. A dica é intercalar de forma inteligente os dois tipos de feedback para garantir a saúde da equipe, além de demonstrar justiça e credibilidade. Não guarde para si grandes satisfações (sua equipe pode se desestimular por achar que você nunca está satisfeito) muito menos suas preocupações sobre o serviço (quanto mais você guardar, menos racional será o momento em que o feedback for passado).
  • Não seja o carrasco: o engenheiro carrasco faz o “ambiente” da obra se deteriorar aos poucos, e com ele a qualidade e produtividade. Mas lembre-se: não abra exceções por atos reincidentes de indisciplina. Perde-se o respeito dos demais funcionários que cumprem com suas obrigações.
  • Recompense: seus destaques devem ser recompensados! Um exemplo? Presenteie-o com um bom curso de capacitação ou formação! Muitas construtoras nem pensam nessa hipótese, e você sabe porque? Com medo de perder o profissional (agora mais habilitado). Agora, pense com a gente, quem tem a maior tendência a querer sair da empresa: aquele funcionário que nunca recebeu nada além do seu salário, ou aquele que foi recompensado pelo seu trabalho com um curso que o fez melhorar como profissional? Parece meio óbvio, não é mesmo? Além disso, o capital humano, com o passar do tempo, tem o potencial de devolver ao empresário o investimento nele efetuado pelo aumento da produtividade.

Instrua e eduque sua equipe a deixar sua obra “silenciosa”: um canteiro de obra sem gritaria, conversas em horários inadequados e qualquer outro tipo de “poluição sonora” vinda da própria equipe prejudica não só vizinhos (que já sofrem um bocado com o barulho dos equipamentos) mas também causa transtornos ao ambiente de trabalho devido à falta de atenção gerada.

Sabemos que não é fácil realizar a gestão de pessoas em uma obra, porém, aos poucos e com muito profissionalismo é possível chegarmos em um nível onde o canteiro da nossa empresa se torna quase “auto gerido” nesse aspecto, devido a essas práticas já fazerem parte da rotina de todos aqueles envolvidos na obra!

Acredita que existe mais alguma dica para complementar a lista acima? Compartilhe com a gente!

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